Olá, seja bem vindo(a)!

Bem, somente quem é ou já foi gordinho para entender, plenamente, as entrelinhas do que está escrito neste blog e compreender o que enfrentei! Desde pequenininha sempre fui rechonchuda (uma gracinha, segundo minha mãe, claro!). Em minha adolescência, acabei crescendo e desenvolvendo meu corpo mais rápido do que a média das minhas amigas com a mesma idade. Para alguns, não era, na verdade, gorda, mas, ao me comparar com as outras, a mim parecia (e ainda acho que eu era, apesar de meu marido, à época namorado, insistir que eu era apenas mais gostosa que as outras - e, pasmem, ele ainda me acha gostosa! Talvez, por isso, eu ache que sua opinião não conta muito, né?!) que eu era gorda! Fato curioso foi meu filho, aos 14 anos, antes de perceber que se tratava de minha foto com esta mesma idade, exclamar: "nossa que gostosa, pai...putz, é minha mãe!!!". Isso deveria ser suficiente para que eu me convencesse de que não era gorda...mas não convence. O tempo passou e, após 20 anos, 2 gravidezes, muita comida e várias tentativas contrárias, eu fiquei (hoje aos 39), realmente, gorda, como atestam as imagens. Não foi falta de me esforçar para emagrecer, não foi preguiça ou moleza, simplesmente eu não emagrecia! Dietas, medicamentos e exercícios não faltaram, mas os resultados eram mínimos e o peso sempre retornava. O lado positivo é que, agora, eu não posso ser acusada de estar enganada quanto à minha auto-imagem...não que isso seja alguma vantagem...acho! O lado negativo é que...eu estou GORDA!!! E isso é bastante negativo, não acham?! Foi a partir dessa constatação que decidi encarar uma cirurgia bariátrica, da qual descrevo minhas impressões diárias e registro neste blog para compartilhar com você que esteja enfrentando o mesmo problema, espero que ajude! Boa leitura!

Por Helaine S. C. Mamede

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O primeiro dia...




Oi! Hoje é o primeiro dia após a cirurgia. O que lembro do período antes da operação foi que, o médico deu um medicamento para me acalmar e dormir, ainda no quarto, o meu esposo, Walner, cantou pra que eu dormisse ("Linda" -Roupa Nova -, até onde me lembro); depois lembro do enfermeiro vir me buscar pra cirurgia e de um beijo (espero que do meu marido!) antes de ir para o centro cirúrgico. Ao ser deixada na ante-sala fiquei alguns minutos sozinha, ai veio uma mulher, colocou soro e depois pediu para que eu respirasse fundo...apaguei. Foram 3h30m de procedimento (conforme me disseram), saí da sala de cirurgia direto para a UTI. Acordei à 1h da madruga, cheia de dor no pescoço; vários funcionários ficavam de um lado pro outro, uma barulheira! Difícil dormir. Novamente, às 5:00 fui acordada pela dor e por barulho, sentia muito, muito frio. E o ar condicionado estava desligado! As dores de cabeça, no pescoço e nas costas estavam insuportáveis, comecei a gemer, veio uma enfermeira e me perguntou se eu estava bem, respondi que estava com dor ela me deu remédio pra gases que embrulhou meu estomago e me deu vontade de vomitar, salivei bastante e a enfermeira disse pra eu me virar de lado se fosse vomitar e cuspir tudo fora na cama mesmo...foi o que fiz, mas a que custo e ela nem me ajudou! Senti dores a noite toda, mas não nos pontos e sim por causa dos gases e da cabeça. Como na videolaparoscopia é preciso injetar gás no abdomen, parece que depois fica preso dentro da gente, andando pra lá e pra cá (pelo menos é essa a sensação que tenho) e doendo pra burro na região do peito e das costas (não entendo porquê, já que é no abdomen que ele é injetado!)...só sei que estou com um puta mal-estar, muito fraca e com sono, mas não consigo dormir, nem achar uma posição confortável. Mais tarde veio uma auxiliar me dar banho, tirou toda minha roupa, desligou todos aparelhos, me colocou nua na cadeira (sem nenhuma proteção, para quem quisesse ver!) e me levou ao banheiro. Tomei um banho rápido, comecei a sentir mais frio ainda. Logo em seguida fui levada pra ala semi-intensiva da UTI. Tentei ler, dormir, mas eu estava muito ansiosa, depois de um longo tempo eu consegui cochilar e logo em seguida meu esposo veio ficar comigo. Tinha tanta coisa pra falar, queria conversar, mas estava tão fraca que não consegui. Pensar que ia passar mais uma noite naquela UTI, me deixava irritada. É preciso ficar 36h sob observação, porque nessa região é fácil ter infecções e rupturas. Fiquei 15h na ala intensiva e depois vim para a unidade semi-intensiva. Meu esposo pediu para enfermeira me dar um medicamento pra dormir, mas o médico não tinha receitado. Pedi a ele que massageasse minhas costas, dando uns tapinhas para ver se o ar circulava e as dores diminuiam. Ele não é nenhum expert no assunto, mas conseguiu aliviar as dores. O ar-condicionado foi ligado e o frio está irritante. Meu marido pediu que fosse reduzido, vamos ver se melhora. Pedi para voltar ao leito. Estava sentada em uma cadeira reclinável, mas me cansei. Nossa, que mal-estar! Não sinto fome, mas tenho uma sensação de que preciso comer...deve ser a fraqueza da falta de comida e do pós-cirúrgico. Estou ligada a uma incômoda sonda vesical e ao soro...mobilidade reduzidíssima! Meu marido está indo embora. O horário de visita vai começar logo e ele vai sair para ficar com nossa filhinha em casa e, assim, minha mãe e meu filho poderem vir e entrar. Vou tentar tirar um cochilo até lá.

*****

Minha mãe (muito preocupada) e meu filho vieram. Ficaram pouco tempo, pois só são permitidos 15min para cada um, mas foi bom vê-los. Agora vou tentar dormir mais um pouco, o mal-estar é enorme!

Helaine S. C. Mamede

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